Dupla consagrada da cultura popular pernambucana acumula histórias e recebe reconhecimento na maior festa popular do município
Com 27 anos de atuação na cena cultural pernambucana, a dupla Mateus e Katilinda, personagens oriundos dos espetáculos de bumba-meu-boi, vive mais um momento marcante da trajetória. Neste ano, eles estão entre os homenageados do Carnaval de Jaboatão dos Guararapes, na Região Metropolitana do Recife, reconhecimento que reforça a força da cultura popular e a permanência das manifestações tradicionais do estado.
A história da dupla começou de forma inusitada. Inicialmente, Mateus e Katilinda atuavam como apresentadores em campanhas promocionais dentro de lojas. Com o tempo, ampliaram sua atuação, tornaram-se mestres de cerimônia de grandes eventos e passaram a ocupar lugar de destaque no meio cultural, estabelecendo uma conexão entre tradição, comunicação e entretenimento, não sendo diferente no município de Jaboatão.
Inspirados em personagens do interior nordestino, Mateus e Katilinda representam a vida de um casal de agricultores: Mateus, o homem simples do campo, e Katilinda, sua companheira de temperamento forte e ciumento. A dramaturgia dialoga com elementos clássicos do Bumba-Meu-Boi, manifestação da cultura popular marcada por cantos, danças e louvações ao boi.
O nascimento da personagem
Foi em 1999, durante uma campanha de Dia das Crianças, que Fábio Glei teve a primeira oportunidade de interpretar o personagem Mateus, em uma ação realizada em um supermercado. A proposta era levar a personagem Catirina para dentro da loja, interagindo diretamente com os clientes e criando um ambiente mais leve e descontraído.
Durante uma dessas apresentações, uma historiadora observou que a personagem estava “bonita demais” para ser uma Catirina tradicional. Em vez do figurino clássico, havia uma estética mais leve, com traços finos e maquiagem menos carregada. Dessa observação nasceu Katilinda.

Diferente das Catirinas tradicionais, Katilinda ganhou uma identidade própria: mais pop, ousada e contemporânea. De bota preta, salto alto, meia arrastão, vestidos de brilho e figurinos coloridos — sempre exaltando as cores da bandeira de Pernambuco —, a personagem consolidou-se como uma releitura moderna do folguedo.
Tradição repaginada
Com essa reinvenção, nasce oficialmente a dupla Mateus e Katilinda, que utiliza humor, imaginação e dramaturgia para retratar a rotina de um casal apaixonado e ciumento, em cenas que misturam comicidade, improviso e crítica social. A proposta é clara: atualizar a tradição sem perder sua essência, aproximando-a do público contemporâneo.
Ao longo de mais de duas décadas, Katilinda já dividiu cena com quatro intérpretes do Mateus: Emanuel Duart, Cristiano Lima, Gerrard Vasconcelos e o atual Mateus, Marcos Aurélio de Lima.
Marcos Aurélio é ator, jornalista e professor de Zumba. Passou parte da infância no Cabo de Santo Agostinho, onde trabalhou cortando cana para ajudar os avós, e mudou-se para Jaboatão dos Guararapes com o sonho de seguir carreira artística. Convidado por Katilinda para integrar a dupla, segue hoje em plena atividade. Influenciado pela trajetória de Fábio Glei, também atua em projetos sociais, como o “Movimento Meu Corpo Minha Vida – Zumba e Ritmos”, iniciado de forma simbólica sob o Viaduto Geraldo Melo, em Prazeres.
Reconhecimento e circulação pelo Brasil
Por meio do folclore nordestino, Mateus e Katilinda ajudam a manter vivo o imaginário popular pernambucano. A dupla já levou o nome de Pernambuco para estados como Pará, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Bahia, São Paulo, Tocantins e Rio de Janeiro. Entre os principais trabalhos, destacam-se coberturas de Carnaval e São João pela TV Jornal e TV Clube (Band); atuações como mestres de cerimônia da Fenahall, entre 2004 e 2010; homenagens e desfiles no Galo da Madrugada, desde 2005; além de participações em bailes, blocos infantis, feiras de artesanato, eventos corporativos e palestras-show voltadas ao Endomarketing.

